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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Carneiro na conserva

Como já comentado neste blog, estou em uma fase avulsa da vida e pra tristeza de muitos: achando ótimo. Porém, neste mundo cheio de amor e pessoas querendo juntar escovas de dente e meias sujas, o ritual do casamento faz parte da programação social de qualquer jovem rumo aos 30. Então, neste feriado de 12 de outubro, eu e minha queridíssima e gigantesca família nos mudamos para um hotel e partimos rumo a Disneylândia dos lenços de papel encharcados de lágrimas: o casamento do meu primo.

Primeiro ato: a vestimenta

Uma vez confirmado o casório, madrinhas, primas, tias e agregadas começam a trocar e-mails sobre a vestimenta ideal para a cerimônia. A festividade programada para o turno da tarde abalou as estruturas do meu armário que não é nada diurno. Como ninguém compreendeu minha incrível vontade de usar um chapéu anos 40 ou um casquete anos 20 optei por um visual completamente equivocado: vestido preto com rendinhas e sapato laranja flúor. Ao me deparar com os demais convidados me sentia uma vampira (modelo clássico vampiresco, nada brilhante e virginal a lá Crepúsculo) saída de um sarcófago em meio a uma horda de hippies e fadas com vestidos florais. Fora que em tempos de Restart qualquer coisa colorida atribui uma nova característica a personalidade do indivíduo: “Mari, não sabia que tu era EMO”. Excelente!

Segundo ato: palavras de sabedoria.

Casal no altar, o pastor começa a falar. Como na religião dos noivos é um hábito “se conservar” para o grande dia, o querido pastor falou sobre o contato físico (os noivos devem ter pensado algo tipo: FINALMENTE!), sobre povoar a terra com pequeninos (os noivos devem ter pensado algo tipo: CALMA) e sobre mulheres precisarem de closets (os noivos devem ter pensado: WTF?). Pronto! Chuva de papel picado, arroz no olho, casamenteiras em chamas e um pepino feliz da vida por sair da conserva.


Terceiro ato: a festa

Finalmente o casamento chegou ao seu ponto alto: muita comida boa, brindes emocionados, banho de champanhe e toda aquela alegria. O Buffet de café colonial foi fantástico e garantiu que antes de sair da festa o zíper do meu vestido começasse a dar sinais de “estouro” próximo. Obviamente comi feito um hooligan em final de campeonato e fiquei profundamente feliz até o próximo ato.

Quarto ato: o buquê.

Assim que a noiva fez menção de jogar o buquê, uma legião de mulheres surgiu da terra e correu rumo ao sonho do altar. Eu, solteira feliz, continuava tomando o meu chopp e conversando sobre os shows do ano. Então, a família libanesa com seu poder de persuasão superliberal me jogou para o montante de mulheres que necessitavam de mandinga para desencalhe. A florzinha girou no ar, passou por mãos desesperadas, desviou do mosh da minha prima de Brasília e me acertou como a bomba nuclear de Hiroshima. Avassalador! Lembro de olhar para a minha família em chamas com acontecimento e ouvir três comentários: 1 – “No último casamento eu peguei o buquê e olha onde eu estou agora (a noiva)”. 2 – “Olha, eu já vi solteirona de 48 anos pegar o buquê e casar logo depois (a prima). 3 – “Agora vai!” (desconhecida que certamente não lê o meu blog).

Quinto ato: as considerações finais.

Os noivos partiram para seu merecido desconservamento, a mulherada aproveitou as roupas e make-ups e foi pra um pub irlandês (agora a minha roupa estava adequada). Milhões de fotos foram batidas e um sentimento fantástico tomou conta de todos: o de família. Como é bom estar com a nossa e ver que ainda tem gente querendo montar a sua. Fiquei sentimental, acho que vou conservar o buquê e usar de tempero no meu carneiro. Afinal, segundo as especialistas, estou chegando perto.