A partir dos 25 anos, as moças de boa família iniciam uma fase única em suas vidas, mais conhecida como: a síndrome do carneiro. No Líbano, quando as jovens atingem a idade ideal são “dadas” em casamento para um noivo escolhido pelos pais e durante o dia da festa matam, assam e temperam um carneiro para os convidados. Depois se arrumam rapidinho e casam. Pronto! Esse é o dia da noiva, segundo a minha tia-avó libanesa (pelo menos é o que ela conta). Eu namorei quase dez anos (divididos entre três namorados) e fiquei solteira com exatos 24 anos. Foi então que eu descobri tudo o que avós, tias-avós, demais entidades familiares e, com passar do tempo, amigos próximos são capazes de fazer para que você “desencalhe”.
No começo o pessoal te apresenta o que eles consideram ótimos partidos, em termos familiares isso significa: nenhuma barba por fazer, nenhuma tatuagem, nenhum brinco, nenhuma viagem louca com uma mochila e uma moto pela América Latina, muitas camisas pólos ou aquelas com números costurados e o comentário: o fulano é MUITO legal. Tu vai adorar ele. Como manda a boa educação, você não sai correndo na hora, cumprimenta o indivíduo com toda a simpatia e começa aquela conversa supernatural “Olá, meu nome é Mariana Bip Bip Bip”.
Como você desvalorizou os bons partidos, os parentes iniciam o projeto combo. Teu primo tá solteiro, você também, eu tenho uma amiga linda que tem um irmão. Feriadão na praia, caipirinha e descontrole na areia, chegam os convidados. A guria realmente é linda, o irmão lembra aqueles brindes que vêm com o Nescafé: feio, possivelmente inútil e fácil de ganhar. Buquê no lixo, o carneiro continua vivo.
Depois de um tempo e tantos erros, alguém pergunta a tua opinião, afinal o que você gosta? Em um momento de insanidade sua irmã, sem querer, diz em voz alta que às vezes te vê com uns músicos. Tudo resolvido, uma parente católica (até no carnaval) tem a solução. Churrasco no fogo, cerveja gelada, chega “o convidado”. Esse é o fulano, ele toca e canta no coral lá da igreja (ele geme um oi). Tentando fazer amizade, você pede uma música: Satisfaction. Ele não conhece. Suspende o violão, vamos conversar sobre profissões. Então, ele larga um comentário tipo: acho lindo quando a mulher decide cuidar só da gente e dos filhos, tá na bíblia, dedicação total a família. Nesse momento, a única solução é abrir uma cerveja e contar como é FANTÁSTICO ser redatora.
Finalmente, as pessoas começam a se irritar, passam pra chantagem: tu acha que vai poder ter filhos até quando? Com quem o “Juca” (filho de alguma prima que é muito bem casada e feliz) vai brincar? Então, você comenta sobre a criogenia de óvulos e consegue um Natal sem presentes. E se você acha que isso já é muito, não. Todo mundo é brasileiro e não desiste nunca. E se inicia a fase da chance, em geral protagonizada por amigos. Ele é tão inteligente, por que você não dá uma chance (a pessoa lembra o DUMBO nos seus dias de glória)? Ele é tão engraçado (a pessoa não viu senhor dos anéis porque não acha muito legal esse lance de procurar “O ANEL” Rá). Ele gosta de esportes (A pessoa joga peteca profissional) e assim segue. Já posso imaginar o que me reserva os próximos capítulos desta saga.
Enquanto alguém planeja o próximo passo, eu sigo achando que o amor tem que ser tipo Matrix: um dia o “THE CHOSEN ONE” aparece e assim como as minhas amigas: sigo no modulo “viva la vida loca”. Até porque algo me diz que assim como praticamente todas as mulheres do mundo desenvolvi uma paixão totalmente platônica e incrível com um goleiro espanhol: Casillas. Chega copa de 2014. Se a Carbonera der mole, mato o carneiro antes dela.
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sexta-feira, 16 de julho de 2010
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